METODOLOGIA DA EXTRAÇÃO DE RESINA
 

A atividade resineira, no princípio, segundo GRAÇA (1984), consistia no corte da casca e do lenho, de maneira a expor os canais resiníferos e permitir o fluxo da resina. Essas incisões ou cortes ou estrias eram repetidas semanalmente, para desobstruir os canais resiníferos fechados por talóides ou pela cristalização.
Como este processo fosse muito dispendioso em termos de mão-de-obra, ensaiaram-se vários produtos para manter o fluxo de resina sem ser necessário fazer estrias tão freqüentes.  
A operação da resinagem atualmente consiste na remoção periódica de parte da casca da árvore, sob forma de faixas ou estrias de 02 a 03cm de altura. A largura do painel de resinagem pode ser pré determinada para todas as árvores de acordo com o diâmetro médio do plantio que se pretende trabalhar ou em uma extensão da circunferência do fuste igual à medida do diâmetro (DAP) de cada árvore. Como é sabido, a resina encontra-se no lenho dos pinheiros, dentro de canais resiníferos verticais e horizontais, sendo necessário a aplicação de uma solução ácida para destruir as paredes celulósicas dos canais resíferos, permitindo assim a livre exudação da resina. A solução ácida, normalmente ácida sulfúrico, deve ser aplicada junto à linha de contato da casca com o lenho.
Anteriormente usava-se uma solução líquida de ácido sulfúrico (25%) porém, devido à ocorrência de muitos acidentes, de grande consumo de ácido sulfúrico e da alta solubilidade da solução por ocasião das chuvas, criou-se a “pasta ácida “.  
Conforme CARNEIRO (1982), uma formulação adequada para a constituição da pasta ácida é a seguinte:  
-         10litros de ácido sulfúrico a 40%  
-         2,750kg de pó de casca de amendoim

A casca de amendoim pode ser substituída por outros materiais inertes como por exemplo o farelo de arroz.  
No mercado encontra-se pasta ácida pronta para uso em concentração que varia de 16% a 30% de ácido.
Para que o tratamento com ácido sulfúrico seja eficiente, este deve penetrar na área acima do lenho exposto em conseqüência da estria praticada. Percebe-se o caminho do ácido sob a casca pelo tom avermelhado do lenho, quando se abre uma nova estria. Portanto, na prática, a largura da nova estria é ditada pelo caminhamento do ácido.  
FRANCO et alli (1983) e GARRIDO et alii(1983), sugerem uso do ácido ethephon, cujo nome comercial é Ethrel-2, como estimulante da exsudação da resina. Esse ácido deve ser adicionado à pasta sulfúrica na proporção de 1:5, aplicando-se 2 a 3 gramas de pasta sulfúrica na proporção de pesquisas demonstraram que o aumento de produção pode atingir até 50%.  
Iniciada a resinagem, cada nova faixa ou nova estria é executada cerca de duas semanas (14 dias) após a anterior.  
A sucessão de estrias, 18 a 19 por safra, determinará o painel de resinagem; é  possível a exploração de 5 a 6 painéis que constituem uma face de resinagem.  
A diversidade do equipamento de resinagem é muito grande; cada empresa adota um sistema, variando por conseguinte os materiais empregados.  
Atualmente, o modo mais usual utiliza os seguintes equipamentos para a atividade resineira: recipiente coletor (saco plástico); e as ferramentas (estriador de bico), estriador de pasta ou bisnaga, raspador de resina e raspador de tronco). 
 


 

Recipiente coletor: No início da atividade resineira no Brasil, eram utilizados cubas ou cadinhos de material galvanizado, presos à árvore por pregos ou cavilhas de madeira, no fim da década de 80 utilizaram-se cadinhos de plástico e, mais recentemente, estão sendo usados sacos plásticos, que têm demonstrado a mesma eficiência com um baixo custo.  
O saco plástico é preso à árvore por meio de arame.
 


 

FERRAMENTAS

A-    Estriador de bico ou riscador: Ferramenta com superfície em “V” levemente arredondada na parte inferior e cortante nas laterais.Essa ferramenta é usada para se fazer o “bigode”, risco no tronco, para facilitar a instalação do coletor de resina evitando possíveis perdas.  
B-    Estriador: Ferramenta com superfície cortante em forma de “U”, de base reta, com dimensão igual à altura requerida para a estria.  
C-    Aplicador de pasta ácida ou bisnaga: Como aplicador da pasta ácida, utiliza-se bisnaga ou pisseta.  
D-    Raspador de resina: Ferramenta utilizada para raspar o painel de resinagem para retirar a resina cristalizada.
E-    Raspador de tronco: Ferramenta com superfície cortante de formato côncavo, para o alisamento da casca visando, facilitar as operações de instalação dos recipientes coletores e de confecção das estrias.  
 


 

A cronologia da instalação pode ser estabelecida da seguinte forma:
1a. Etapa - Escolha da árvore. Como a produção de resina está diretamente relacionada com o diâmetro da árvore, deve-se resinar aquela árvore cujo diâmetro for igual ou superior a 15cm.  
 


 

2a. Etapa – Limpeza do tronco. Utilizando-se o raspador de casca, que consiste no nivelamento das cascas das árvores, procurando deixar uma superfície lisa, sem no entanto, causar ferimento ao lenho. Tal procedimento facilita sobremaneira as etapas subseqüentes. 
 


 

3a. Etapa – Confecção do "bigode". Consiste em se fazer uma incisão na casca da árvore para a fixação do saco plástico coletor de resina.
 


 

4a. Etapa – Colocação do recipiente coletor. Os sacos plásticos que são os recipientes mais utilizados atualmente, são fixados por meio de arame. A fixação deve ser bem feita, evitando-se que o escorrimento da resina ocorra entre o saco plástico e a casca da árvore.
 


 

5a. Etapa – Estriagem. Apos cumpridas as etapas anterioes, a árvore está preparada para ser estriada, isto é, o ferro estriador deve penetrar na árvore até a região do câmbio vascular, expondo assim, os canais resiníferos. O corte e a remoção da casca preparam a área para receber a pasta ácida. Em geral a estria é feita com 2 a 3 cm de largura e o seu comprimento depende do tamanho do saco coletor e do diâmetro da árvore. As estrias são realizadas, em geral, a cada 15 dias, e se iniciam em meados de setembro ou quando a temperatura começa a subir, sendo feita até o final de maio. Atualmente, muitos resineiros estão estriando quase que o ano todo. É recomendável, que se deixe em período de repouso, de pelo menos três meses, para que a árvore tenha condições de se recuperar da agressão causada pela estriagem.
 


 

6a. Etapa – Estimulação química. Aplicação da pasta ácida com o auxílio de uma "bisnaga" (pisseta).

No início da atividade de resinagem, quando existiam maiores dificuldades de mão-de-obra e de materiais apropriados para execução dos trabalho, perdia-se muita resina pelas laterais dos recipientes coletores. Na tentativa de minimizar este problema, usaram-se canaletas ou calhas coletoras confeccionadas de materiais galvanizados, alumínio e mais recentemente de papelão, tipo embalagens "longa vida".
As calhas eram fixadas por meio de grampos ou diretamente na árvore por meio de gabaritos, isto é, a própria calha é introduzida na árvore, de maneira que a resina não passe sob ela.
Atualmente, o sistema mais comum e mais econômico é aquele em que a sucessão das estrias  conduzem resina diretamente para o saco plástico sem a necessidade do uso de calhas. Para isso exige-se o mínimo de qualidade na elaboração das estrias, evitando-se o painel espiralado, de forma que as extremidades das estrias fiquem paralelas entre si, tendo o painel uma forma retangular. O paoinel espiralado provoca perda de resina em decorrência do escoamento lateral ao saco plástico.
Uma safra de resinagem compreende, em média de 18 a 19 estrias; o painel será portando, de cerca de 40cm de altura por safra.
Após o período de resinagem (9meses), na safra seguinte, reinstala-se o equipamento próximo à última estria da safra anterior, evitando-se dessa forma qua a resina tenha um longo caminho a percorrer até o recipiente coletor.
No final de cada safra é necessário a retirada da  resina que ficou aderente ao tronco da árvore. Essa resina solidificada chama-se raspa. A raspa é comercializada geralmente pela metade do valor da resina.
 


 

A reinstalação do material é feita no período mais frio do ano, ou seja, na entressafra, nos meses de junho-julho-agosto, período esse que coincide com o inverno quando o fluxo de resina diminui sensivelmente, ou ainda pode ser feita no meio de uma safra, após a coleta, sendo chamada de "Revisão", que serve para trocar os recepientes defeituosos e/ou ainda melhorar suas condições para evitar perdas.
 


 

É possível efetuar a resinagem em duas faces concomitantemente. Neste caso a árvore deve ter, no mínimo, 36cm de DAP. A resinagem em dupla face não duplica a produção, podendo, porém, aumentá-la em até 70%. Na implantação de duas faces de resinagem concomitantes, devem ser mantidos segmentos de casca de 10cm ou mais entre as secções. A finalidade da manutenção destes segmentos é assegurar a circulação da seiva.
 


 

RESINAGEM COM GARRAFAS
 

Influenciados predominantemente pelo custo da mão-de-obra na atividade de resinagem,  pesquisadores norte-americanos estudaram novas metologias de extração e apresentaram o que chamaram de "SISTEMA FECHADO DE EXTRAÇÃO DE RESINA", que utiliza garradas de plásticos fixas'às árvores como coletoras da goma HODGES & WILLIAMS (1993).
Este sistema consiste em se realizar um furo no tronco da árvore, com diâmetro igual ao do bico da garrafa, preferencialmente a 20 centímetros da base da árvore, com 15 centímetros de profundidade, aspergir o estimulante "Ethrel" e fixar uma garrafa ao furo. Com a ausência do ar, o estimulante não se volatiliza, permanecendo ativo por muito tempo.
Em experimentos realizados, a produção de resina alcançou 1kg por furo em uma safra. Árvores com 5 garrafas, instaladas na mesma época, chegaram a produzir 4,357kg, ainda conforme os autores citados.
É um método de extração que até o momento só apresenta vantagens: pequena agressão a madeira, reduz a evaporação da terebintina, diminui grandemente o teor de impurezas, com isso aumentando a qualidade da resina e consequentemente o seu preço. Não se sabe ainda o custo de implantação para uma exploração comercial.
No Brasil, esta técnica ainda se encontra em fase de experimentação, sem que exista o momento, algum estudo conclusivo sobre a  viabilidade técnica aliada a fatores de custo de produção e influências nos preços de venda.
 

Autores deste trabalho:
- Marco Antônio de Oliveira Garrido
- Rogério dal Poz
- José Antônio de Freitas
- Finê Thomaz Rocha
- Leda Maria do Amaral Gurgel Garrido